Coordenador do Fórum Social Temático diz que objetivos foram alcançados
Porto Alegre - O Fórum Social Temático (FST) que, ao longo da última semana, reuniu 40 mil pessoas em Porto Alegre, conseguiu cumprir o objetivo de ser uma etapa preparatória para a Cúpula do Povos, a reunião que os movimentos sociais querem organizar em paralelo à Conferência das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, que o Brasil vai sediar em junho,no Rio de Janeiro.
A avaliação é de Celso Woyciechowski, membro do Comitê Organizador do Fórum Social Temático (FST), que conversou com a Agência Brasil e fez um balanço dos resultados de uma semana de debates. Woyciechowski disse que as articulações feitas em Porto Alegre servirão de base para uma plataforma de propostas que os movimentos sociais vão apresentar como alternativas ao que será negociado oficialmente pelos governos na conferência do Rio. A base é a crítica à chamada economia verde que, segundo as organizações não governamentais (ONGs), pode acabar apenas repetindo o modelo capitalista sob um rótulo de correção ecológica.
Agência Brasil: Como o senhor avalia essa edição do Fórum Social Temático?
Celso Woyciechowski: Todo Fórum Social Mundial e, aqui também, essa edição temática, sempre tem expectativas e grandes possibilidades de essas expectativas serem concretizadas. Acho que esse FST concretizou as expectativas, tanto de público - tivemos mais de 40 mil pessoas participando de todas as atividades - quanto de construir uma extraordinária plataforma para encaminhar à Cúpula dos Povos, durante a Rio+20, em junho. Esse elemento temático deu foco aos debates, motivou e fez com as que as pessoas participassem mais, com conteúdo, com profundidade e, portanto, transformasse esse fórum em uma das melhores edições no que diz respeito ao debate do conteúdo e no encaminhamento das resoluções. Nós, da comissão organizadora, estamos extremamente satisfeitos, pelo conteúdo, pela riqueza dos debates que aqui foram apresentados e pelas proposições que certamente serão levadas para a Cúpula dos Povos, no Rio de Janeiro.
ABr: O FST cumpriu o papel de ser uma preparatória para a Cúpula dos Povos?
Woyciechowski: Esse era o objetivo e acreditamos que foi cumprido. Cumpriu o papel de fazer o debate, armar uma mobilização em caráter mundial e uma plataforma com possibilidade de grandes acordos para a Rio+20, por meio da Cúpula dos Povos. Acreditamos que esse debate foi construído e será aperfeiçoado e aprimorado até o mês de junho, antes da Rio+20.
ABr: A crítica à economia verde é a principal mensagem que sai do fórum?
Woyciechowski: Acredito que o capitalismo tem suas crises cíclicas, demostra seus limites e busca alternativas. Acho que esse é o momento em que o capitalismo em crise está buscando alternativas na economia verde, alternativas para se reciclar. Todos os debates aqui colocados têm trabalhado com o conceito de economia verde, o conceito de emprego verde trazido pelo capitalismo, que nada mais é do que a reciclagem do próprio capitalismo, que não tem compromisso com a sustentabilidade, não tem compromisso com o meio ambiente e trabalha na lógica, portanto, de uma economia verde reciclando e reoxigenando o próprio capitalismo. Acho que nós precisamos trabalhar com outro conceito de economia verde, com outro conceito de emprego verde, linkar muito fortemente a mudança de um sistema de desenvolvimento hoje econômico com um sistema de desenvolvimento social, sustentável, com respeito ao meio ambiente e com justiça social e distribuição de renda.
ABr: Como essa edição temática se articula com processo histórico do Fórum Social Mundial? Houve uma evolução das ideias ao longo dos anos, da crítica ao neoliberalismo em 2001 para questões ambientais?
Woyciechowski: De 2001 até 2012, temos onze anos que separam a primeira edição do FSM, que tinha um cunho muito forte de fazer um contraponto sistemático ao modelo econômico baseado muito fortemente nas grandes diretrizes que eram elaboradas no Fórum Econômico Mundial, de Davos. Portanto, o FSM cumpriu seu papel nesse período, enquanto grandes transformações no mundo aconteceram. Vamos pegar o exemplo da América Latina: tivemos grandes transformações, mudanças de curso nas gestões públicas e no modelo de desenvolvimento. E, logicamente, o FSM também precisa avançar, também precisa ter respostas para debates mais objetivos.
ABr: Como os movimentos sociais avaliaram a vinda da presidenta Dilma ao fórum, pela primeira vez como chefe de Estado?
Woyciechowski: O aspecto mais positivo foi a decisão da presidenta Dilma de vir para o FST e não ir ao Fórum Econômico de Davos. Essa foi uma decisão política extremamente acertada da presidenta Dilma e que demonstra o seu empenho em buscar um diálogo que seja alternativo, que não seja um modelo vertebrado a partir de Davos. E, para além disso, a presidenta abriu um debate franco, transparente, com os movimentos sociais, com as organizações. Ela apresentou sua vontade, sua disposição de buscar as transformações.
Acompanhe a cobertura completa do FST 2012 no site multimídia da Empresa Brasil de Comunicação (EBC)
Edição: Vinicius Doria
Luana Lourenço e Paula Laboissière
Enviadas especiais da Agência Brasil
29.01.2012
Sítio: http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2012-01-29/coordenador-do-forum-social-tematico-diz-que-objetivos-foram-alcancados
domingo, 29 de janeiro de 2012
sexta-feira, 20 de janeiro de 2012
CTB apoia luta dos estudantes, professores e auxiliares administrativos da Gama Filho e Univer-Cidade
A mercantilização do ensino e o conseqüente tratamento da educação como mercadoria e não como um direito social tem se tornado cada vez mais comum, em especial, na educação superior privada.
A demissão em massa de professores, técnicos e auxiliares administrativos, o descumprimento do pagamento dos seus direitos trabalhistas e o aumento abusivo das mensalidades na Gama Filho e na Univer-Cidade, adquiridas recentemente pela Galileo Educacional, uma empresa criada para atuar no mercado da educação superior, demonstra a grave situação que estamos enfrentando. Em nome da “maximização dos seus lucros”, essas empresas cometem todos os tipos de abuso e desrespeito aos trabalhadores e estudantes. Trata-se, na verdade, de uma afronta à sociedade!
A CTB – Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil repudia veementemente a atitude do grupo Galileo Educacional, se solidariza com os trabalhadores e estudantes dessas IES, na luta pelos seus direitos,
e se coloca ao lado das entidades representativas, UNE, UEE e Sinpro-Rio, na perspectiva do fortalecimento das suas reivindicações e da defesa da regulamentação do ensino privado, da educação gratuita, laica e de qualidade para todos!
A demissão em massa de professores, técnicos e auxiliares administrativos, o descumprimento do pagamento dos seus direitos trabalhistas e o aumento abusivo das mensalidades na Gama Filho e na Univer-Cidade, adquiridas recentemente pela Galileo Educacional, uma empresa criada para atuar no mercado da educação superior, demonstra a grave situação que estamos enfrentando. Em nome da “maximização dos seus lucros”, essas empresas cometem todos os tipos de abuso e desrespeito aos trabalhadores e estudantes. Trata-se, na verdade, de uma afronta à sociedade!
A CTB – Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil repudia veementemente a atitude do grupo Galileo Educacional, se solidariza com os trabalhadores e estudantes dessas IES, na luta pelos seus direitos,
e se coloca ao lado das entidades representativas, UNE, UEE e Sinpro-Rio, na perspectiva do fortalecimento das suas reivindicações e da defesa da regulamentação do ensino privado, da educação gratuita, laica e de qualidade para todos!
terça-feira, 10 de janeiro de 2012
Tem algo errado no ensino privado? Cadê o aumento real dos salários?
Tem algo errado no ensino privado?
Tem sim. O Brasil vive um bom momento, o desemprego diminiu, as matrículas nas instituições privadas seguem em crescimento, a economia do País está estabilizada, prova disso foi o enfrentamendo relativamente tranquilo frente à grande crise mundial. Entretanto, esse cenário promissor e otimista não se reflete em conquistas para os trabalhadores.
A lógica dos que comandam as instituições de ensino é não valorizar os professores e técnicos administrativos para ampliar seus lucros e economizar na qualidade de ensino.
Para denunciar essa prática, a Contee – Confederação Nacional dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Ensino – desenvolveu esse blog. Aqui, você vai saber mais sobre o setor privado que insiste em fazer da educação uma mercadoria. Notícias e relatos de todo o Brasil desvendando uma realidade que não aparece nos anúncios publicitários.
Campanha nacional da CONTEE em defesa do aumento real dos salários.
Blog da CNTEE
http://www.algoerradonoensinoprivado.org.br/?p=11#more-11
Tem sim. O Brasil vive um bom momento, o desemprego diminiu, as matrículas nas instituições privadas seguem em crescimento, a economia do País está estabilizada, prova disso foi o enfrentamendo relativamente tranquilo frente à grande crise mundial. Entretanto, esse cenário promissor e otimista não se reflete em conquistas para os trabalhadores.
A lógica dos que comandam as instituições de ensino é não valorizar os professores e técnicos administrativos para ampliar seus lucros e economizar na qualidade de ensino.
Para denunciar essa prática, a Contee – Confederação Nacional dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Ensino – desenvolveu esse blog. Aqui, você vai saber mais sobre o setor privado que insiste em fazer da educação uma mercadoria. Notícias e relatos de todo o Brasil desvendando uma realidade que não aparece nos anúncios publicitários.
Campanha nacional da CONTEE em defesa do aumento real dos salários.
Blog da CNTEE
http://www.algoerradonoensinoprivado.org.br/?p=11#more-11
CNTE convoca paralisação nacional em defesa do piso salarial
Paralisação nacional vai cobrar cumprimento do piso salarial nacional dos professores.
Em reunião do Conselho Nacional de Entidades da CNTE, ocorrida na última sexta(16/12/11), foi decidida a realização de uma greve nacional na primeira quinzena de março, para exigir o cumprimento da lei nacional do piso.
Fonte: Site CNTE
Em reunião do Conselho Nacional de Entidades da CNTE, ocorrida na última sexta(16/12/11), foi decidida a realização de uma greve nacional na primeira quinzena de março, para exigir o cumprimento da lei nacional do piso.
Fonte: Site CNTE
Para a CNTE o Valor do Piso é R$ 1.937,26
A CNTE orienta as suas entidades filiadas que lutam pela implantação do Piso Salarial Profissional Nacional, que o processo de negociação com os governos inicie com o valor defendido pela CNTE de R$ 1.937,26 como vencimento inicial na carreira.
A CNTE reivindica o cumprimento integral da lei com 1/3 da jornada seja destinada para a hora atividade.
O valor do piso deve ser aplicado para as jornadas de trabalho que estão instituídas nos planos de carreira de estados e municípios.
FONTE: Site da CNTE
http://www.cnte.org.br/index.php?option=com_content&view=article&id=8093:para-a-cnte-o-valor-do-piso-e-r-159787&catid=36:noticias&Itemid=82
A CNTE reivindica o cumprimento integral da lei com 1/3 da jornada seja destinada para a hora atividade.
O valor do piso deve ser aplicado para as jornadas de trabalho que estão instituídas nos planos de carreira de estados e municípios.
FONTE: Site da CNTE
http://www.cnte.org.br/index.php?option=com_content&view=article&id=8093:para-a-cnte-o-valor-do-piso-e-r-159787&catid=36:noticias&Itemid=82
quinta-feira, 15 de dezembro de 2011
AUDIÊNCIA PÚBLICA NA COMISSÃO DE EDUCAÇÃO DA ALERJ CONVOCA SEEDUC

Marcada para 10 horas do dia 14 de dezembro, a Audiência Pública começou às 10 h e 30 min e terminou por volta das 14 h e 30 min. O Secretário Estadual de Educação, Wilson Risolia, compareceu e fez um balanço da sua gestão neste ano. A diretoria do SEPE cobrou do Secretário diversos assuntos, como o fechamento de escolas noturnas e questionou a SEEDUC em relação à evasão de alunos da rede, quando o secretário declarou à imprensa, em novembro, que existem 120 mil "alunos fantasmas" nas escolas estaduais. Indignados, alunos da rede fizeram um protesto silencioso na audiência em relação à declaração de Risolia, fantasiando-se de fantasmas.
Os profissionais de educação, após o término, se dirigiram para a sede da SEEDUC onde realizaram o "Dia do Protocolo", com o pedido protocolado à secretaria de que os professores tenham direito ao 1/3 de planejamento extraclasse, conforme determina a Lei Federal.
O SINDSERJ esteve presente se pronunciando e divulgando nota protestando contra a redução da carga horária das disciplinas de Sociologia e Filosofia. Em seu pronunciamento, o presidente do SINDSERJ, Nilton Soares, afirmou que os professores de sociologia e filosofia consideram o teor e as conseqüências da decisão da SEEDUC danosas à educação no Estado. Declarou, ainda, que os professores se sentiam consternados com a decisão da Secretaria de Educação.
A Chefe do Departamento de Sociologia do Colégio Pedro II, Professora Fátima Ivone, também esteve presente e divulgou CARTA ABERTA dos professores de Sociologia da instituição, expressando o seu repúdio pela diminuição da carga horária das disciplinas de Sociologia e Filosofia na grade curricular da SEEDUC.
Inúmeros Deputados compareceram à Audiência Pública enriquecendo o debate.
Parabéns ao Deputado Comte Bittencourt pela condução da Comissão de Educação da ALERJ.
Fontes:SEPERJ e SINDSERJ
sábado, 12 de novembro de 2011
Quem ainda quer ser professor?
Há fortes evidências, nos dias atuais, de que a profissão docente vive uma crise sem precedentes na história do nosso ensino. A despeito da grande diversidade de condições da oferta e demanda por escolarização, tanto no que se refere à condição docente quanto à condição discente, produto da diferenciação sociocultural e das desigualdades socioeconômicas, essa crise atravessa a estrutura da escola de alto a baixo.
Ela combina ingredientes de natureza muito diversa, mas o elemento-chave da sua explicação é o baixo valor do diploma de professor, sobretudo na educação básica, tanto no mercado de bens econômicos (salário) quanto no mercado de bens simbólicos (prestígio). Esse baixo valor do diploma expressa um terrível paradoxo: quanto mais expandimos a oferta do ensino, maior se revela nossa dificuldade de formar professores para atendê-la.
Estamos pagando o preço caro de uma conquista. Desde o século 18, na Europa, e pelo menos desde o final do século 19, no Brasil, reivindica-se educação como direito do cidadão e dever do Estado. Pois bem, todos - ou quase todos - vieram para a escola. Vieram os camponeses, os das periferias urbanas, os indígenas, os deficientes físicos e, inclusive, os que não querem saber de escola. Vieram por direito, resultado de lutas históricas pela sua inclusão nos sistemas de ensino. Mas, como não há milagres em matéria de educação e ensino, isso também exigiria formar em quantidade e qualidade os professores que dariam conta dessa tarefa em condições que obedecessem a patamares mínimos de decência.
O Brasil universalizou recentemente o ensino fundamental e trabalha arduamente para universalizar, até 2016, a educação infantil e o ensino médio, cujo atendimento está na casa de míseros 50%. Não bastasse a escassez de professores para a demanda atual, que o MEC já contabiliza na casa dos 250 mil, sobretudo para o ensino das ciências, universalizar a educação básica implica a necessidade de formar mais e bem os professores para realizar a tarefa. Essa legítima proposta do Plano Nacional de Educação esbarra, contudo, em problemas cuja gravidade nos deixa poucas expectativas para sua realização.
Um desses problemas é a baixa atratividade da carreira docente, com recrutamento dos estudantes dos cursos de licenciatura justamente entre aqueles de escolarização básica mais precária. Indicador preocupante dessa baixa atratividade está expresso na relação candidato/vaga dos últimos 13 vestibulares da UFMG (2000-2012), o que parece estar longe de ser uma situação exclusiva desta Universidade. Em 2000, dos 17 cursos mais concorridos, seis formavam professores. Para o vestibular 2012, não há um único curso de licenciatura entre os 15 mais concorridos.
Mantida a atual tendência, em três ou cinco anos não teremos candidatos aos cursos de licenciatura. Cursos como Ciências Biológicas, Educação Física, Geografia, História, Letras, Matemática e Pedagogia, que eram disputados numa correlação de 12 a 30 candidatos por vaga, há dez anos, para 2012 contarão, respectivamente, com 3,5; 2,1; 1,6; 4,8; 1,4; 2,9 e 3,0 candidatos para cada vaga. Mesmo considerando que houve aumento do número de vagas em alguns deles, redução da concorrência em outros cursos que não os de licenciatura e que caiu de 18 para 9 a média geral da relação candidato/vaga na universidade, a generalizada queda da concorrência nos cursos de licenciatura é forte evidência de que há pouco interesse pela docência atualmente.
Mas isso é apenas parte do problema. Um segundo elemento a ser considerado é o elevado índice de desistência da profissão. Grande número dos que se formam professores não terão as salas de aula como destino ocupacional. A universidade fez elevado investimento, nas duas últimas décadas, criando cursos exclusivamente de licenciatura, em que a escolha precede o vestibular. Grande parte dos alunos desses cursos diz explicitamente que a sala de aula não é a sua opção. E um dos motivos mais apontados é a informação sobre o elevado índice de abandono da profissão, isto é, professores experientes que se afastam por adoecimento ou por não suportarem mais ser vítimas de violência física e/ou simbólica no cotidiano da sala de aula.
Internamente, a Universidade tem enfrentado o problema com ações como o Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (Pibid), que concede bolsas de estudos e um trabalho de formação diferenciada para alunos dos cursos de licenciatura. Contudo, se não forem modificadas as condições gerais da docência, para fazer dela uma carreira atraente, simplesmente não teremos professores para atuarem na universalização da educação básica.
Artigo de João Valdir Alves de Souza, professor de Sociologia da Educação na FeE/UFMG, coordenador do Colegiado Especial de Licenciatura e do Grupo de Pesquisa sobre Formação de Professores e Condição Docente.
Fonte: Articulando Educadores
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