Só um terço dos países atingiram objetivos para período 2000 a 2015.
Inep contesta números e diz que país avançou no acesso à educação.
Um relatório divulgado nesta quarta-feira (8) pela Organização das
Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), mostra
que somente um terço dos países alcançou todas as seis metas de educação
estabelecidas há 15 anos para o período de 2000 a 2015. Segundo o
relatório, o Brasil chegou a duas dessas metas: universalizar o acesso à
educação primária (1ª ao 5 ano do ensino fundamental) e atingiu a meta
da igualdade de gênero, levando meninos e meninas às aulas em grande
proporção.
O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep),
autarquia do Ministério da Educação, constesta os números e vê grandes
avanços no acesso à educação na pré-escola, no ensino profissionalizante
e no combate ao analfabetismo.
As metas foram estabelecidas na Cúpula Mundial de Educação, em Dakar,
no Senegal, com 164 países, ocorridas em 2000. O objetivo global era
que todos os países pudessem chegar a 2015 tendo cumprido as seis metas
abaixo:
META 1 - PRIMEIRA INFÂNCIA
Expandir a educação e os cuidados na
primeira infância, especialmente para as crianças mais vulneráveis.
Entre os países, 47% alcançaram o objetivo e outros 80% quase
conseguiram. Segundo a Unesco, o Brasil não atingiu a meta. O Inep
contesta.
META 2 - EDUCAÇÃO PRIMÁRIA
Alcançar a educação primária universal,
particularmente para meninas, minorias étnicas e crianças
marginalizadas. Objetivo foi alcançado por 42% dos países. O Brasil
cumpriu.
META 3 - JOVENS E ADULTOS
Garantir acesso igualitário de jovens e
adultos à aprendizagem e a habilidades para a vida. Unesco diz que 46%
dos países atingiram. O Brasil não.
META 4 - ANALFABETISMO
Alcançar uma redução de 50% nos níveis de
analfabetismo de adultos até 2015. Apenas 25% dos países atingiram. O
Brasil não atingiu, segundo a Unesco.
META 5 - MENINOS E MENINAS
Alcançar a paridade e a igualdade de
gênero. Unesco diz que 69% dos países atingiram meta na educação
primária e 48% no ensino médio. O Brasil atingiu.
META 6 - EDUCAÇÃO DE QUALIDADE
Melhorar a qualidade de educação e
garantir resultados mensuráveis de aprendizagem para todos. De acordo
com o relatório, faltam 4 milhões de professores no mundo. Brasil não
atingiu esta meta.
saiba mais
No Brasil, 75% das adolescentes que têm filhos estão fora da escola
Veja histórias de professores que desistiram da profissão e quem ama a docência
Apenas 57 países alcançaram os seis objetivos. O Brasil alcançou as
metas 2 e 5. "O Brasil faz esforço grande para expandir o ensino público
de educação infantil mas ainda precisa avançar mais para cumprir essa
meta", diz a coordenadora de Educação da Unesco no Brasil, Rebeca Otero,
em relação à meta 1.
Inep contesta números
Chico Soares, presidente do
Inep, contesta. "Em 2002 tínhamos 3 mil creches públicas. Hoje temos 35
mil. Nos comprometemos a expandir e melhorar. Implantamos políticas
públicas e trouxemos a educação para o centro dessas políticas. De onde a
Unesco tirou que não cumprimos a meta?", questiona.
Sobre o acesso de jovens e adultos ao ensino (meta 3), a Unesco vê
progressos nos programas de educação tecnológica, como o Pronatec, mas
precisa ainda melhorar o índice de jovens matriculados no ensino médio. O
Inep diz que o país dobrou o número de matrículas em cursos
profissionalizantes de 2 milhões para 4 milhões.
A organização também vê o Brasil com um grande número de analfabetos e
analfabetos funcionais (meta 4). "Avançamos em várias faixas etárias,
somente para as pessoas acima de 60 anos a redução do analfabetismo foi
mais discreta. O importante é que fechamos a porteira. Na faixa de 15 a
19 anos, apenas 1% dos jovens são analfabetos", diz Soares.
Sobre a meta 6, a Unesco vê uma a necessidade de uma maior
valorização do professor no Brasil. O Inep diz que apresenta à sociedade
de maneira transparente os resultados das políticas de educação por
meio do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb). "Caminhamos
muito nos anos iniciais. Caminhamos menos no ensino médio. Temos coisas
para fazer, tanto que fizemos o Plano Nacional da Educação."
Crianças fora da escola
Crianças do Paquistão têm
aula em Islamabad (Foto: B.K. Bangash/AP)Crianças do Paquistão têm aula
em Islamabad (Foto: B.K. Bangash/AP)
A educação no mundo ainda não é tratada da maneira como deveria,
segundo a Unesco. A organização afirma que apesar de neste período 34
milhões de crianças terem tido acesso à educação, ainda há 58 milhões de
crianças fora da escola no mundo e cerca de 100 milhões de crianças que
não completarão a educação primária.
A desigualdade na educação aumentou, com os mais pobres e
desfavorecidos carregando o maior fardo. As crianças mais pobres do
mundo têm chances quatro vezes maiores de não frequentar a escola quando
comparadas às crianças mais ricas do mundo, e cinco vezes maiores de
não completar a educação primária.
Uma nova reunião mundial será realizada em maio na Coreia do Sul para traçar objetivos para o período de 2015 a 2030.
Fonte: G1, Paulo Guilherme - 09/04/2015
Extraído do site oficial da CNTE-Publicado em Quinta, 09 Abril 2015 11:47
http://www.cnte.org.br/index.php/educacao-na-midia/14694-brasil-cumpre-apenas-2-de-6-metas-mundiais-para-a-educacao-diz-unesco.html
quinta-feira, 23 de abril de 2015
domingo, 5 de abril de 2015
Demandas da educação estão ficando em segundo plano
A redução de 30% no orçamento da
Educação pelo governo federal aumenta o desafio de tirar do papel o
Plano Nacional de Educação (PNE) e coloca em xeque as conquistas da
categoria, que conseguiu vincular 10% do PIB para a educação na próxima
década.
A Confederação Nacional dos
Trabalhadores em Educação - CNTE, entidade representativa de mais de 2,5
milhões de profissionais da educação básica pública no Brasil - defende
a educação pública como direito inalienável da população brasileira. O
corte de R$ 5,6 bilhões do orçamento do Ministério da Educação (MEC),
dois meses depois de a Presidente Dilma lançar o novo lema do governo,
“Brasil: Pátria Educadora”, revela que as demandas do setor estão
ficando em segundo plano.
A educação exige o cumprimento de
todos os compromissos previamente assumidos para garantir a
implementação do novo Plano Nacional de Educação, com a consolidação do
Sistema Nacional de Educação e as políticas e ações de cooperação com
estados e municípios, responsáveis diretos pelas matrículas de mais de
42 milhões de estudantes das escolas públicas do País.
fonte: CNTE
sábado, 14 de março de 2015
Movimentos sociais se reúnem na Cinelândia para defender a Petrobrás, o Brasil e a Democracia
Quase 10 mil pessoas se manifestaram, dia 13/3, na
Cinelândia em favor da Petrobrás e da Democracia, convocados pela CUT, FUP CTB
e MST. O ato contou com a participação de sindicalistas, integrantes do MST e
partidos de esquerda.
Por
todo o Brasil o povo diz não ao golpe, em SP foram 60 mil
Milhares de
pessoas foram às ruas nesta sexta-feira (13), em todos os estados do país e no
DF, para defender a democracia. Na cidade de São Paulo nem mesmo a forte chuva
que caiu abalou os que chegavam à Avenida Paulista, palco de grandes atos
políticos. Cerca de 60 mil manifestantes defenderam a Petrobras e a legalidade
constitucional do mandato de Dilma Rousseff.
sexta-feira, 6 de março de 2015
Sinpro-Rio se prepara para o Ato em Defesa da Soberania Nacional
Assista o depoimento de Jandira Feghali, deputada federal (PCdoB) clicando aqui
fonte: sinpro-rio
terça-feira, 6 de janeiro de 2015
Nota da CTB sobre aumento de passagens
A Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil – Rio de Janeiro manifesta seu repúdio à ideia de novo aumento nas passagens do transporte público. O Governo do Estado do Rio de Janeiro, no apagar das luzes de 2014, prepara um aumento nas tarifas para a virada de ano e, mais uma vez estudantes e trabalhadores demonstram a insatisfação com a medida. O índice dessa vez é de 11%, quase o dobro da inflação do País no último ano.
A CTB-RJ considera que o aumento das passagens não se justifica. O lucro dos empresários de ônibus continua alto e a auditoria da caixa preta dos transportes, tão pedida pelos movimentos sociais, até hoje não foi feita. O serviço prestado pelas empresas do setor é cada vez pior: pouca regularidade nas linhas, ônibus em péssima qualidade e a tal frota com ar condicionado continua sendo uma minoria nas linhas.
Manifestamos solidariedade aos trabalhadores e usuários do sistema de transporte público e nos posiconamos contra esse aumento de passagem e na luta para que ele não aconteça. Lembramos que, segundo a Portaria de 2009, o aumento das tarifas deveria seguir o índice do IPCA, o que não é respeitado pela proposta do governo do Estado.
Não ao aumento das tarifas! Por um transporte público de qualidade!
Rio de Janeiro, 17 de Dezembro de 2012
Ronaldo Leite
Presidente da CTB-RJ
fonte: ctbrj
GOVERNO FEDERAL ALTERA REGRAS DA CONCESSÃO DE BENEFÍCIOS PREVIDENCIÁRIOS E TRABALHISTAS.
O governo federal publicou na noite desta terça-feira (30), em edição extraordinária doDiário Oficial da União, as medidas provisórias 664 e 665, que alteram as regras da concessão de benefícios previdenciários e trabalhistas, entre eles a concessão do seguro-desemprego.
Anunciadas ontem (29) pelo ministro-chefe da Casa Civil, Aloizio Mercadante, as medidas alteram regras do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) e da Previdência Social, aumentando o rigor para a concessão do abono salarial, do seguro-desemprego, do seguro-defeso dos pescadores artesanais, a pensão por morte e o auxílio-doença. Segundo o governo, as mudanças vão acarretar uma economia de R$ 18 bilhões ao ano a partir de 2015.
sexta-feira, 2 de janeiro de 2015
2015, o ano que pode surpreender
Uma frente de esquerda, formada pelos
principais movimentos sociais, liderada, entre outros, pelo dirigente do MTST,
Guilherme Boulos, está em construção.
por: Saul Leblon
A palavra incerteza comanda a passagem de 2014 para o Brasil
de 2015, mas o chão mole do calendário político registra agora uma auspiciosa
pavimentação de terra firme que pode surpreender.
Uma frente de esquerda formada pelos principais movimentos sociais brasileiros, tendo à frente, entre outros, o dirigente do MTST, Guilherme Boulos, está em formação no país.
Não é ainda a alavanca capaz de reverter a ofensiva conservadora em marcha batida na sociedade. Mas tem potência para isso.
Tem, sobretudo, capacidade para sacudir uma correlação de forças na qual as elites mastigam a margem de manobra do segundo governo Dilma entre os dentes da fatalidade econômica e do engessamento político.
A iniciativa dos movimento sociais, apoiada por partidos de esquerda, conta com um incentivo sintomático da gravidade dos dias que correm: o do ex-presidente Lula e, portanto, de uma parte significativa do PT.
Tem, ademais, um precedente revelador.
Ela vem se somar a uma mobilização equivalente, iniciada há cerca de um mês, para reaproximar intelectuais de esquerda e construir um contraponto de ideias progressistas ao agendamento conservador da sociedade, martelado diuturnamente pelo jogral midiático.
Trata-se de uma usina de respostas à espiral regressiva; uma caixa de ressonância de intelectuais cidadãos.
Esse polo de debate e combate foi oficializado no dia 15 de dezembro, em evento em São Paulo, com o nome de Fórum 21.
A primeira assembleia, no Sindicato dos Engenheiros, elegeu como uma de suas vértebras a luta pela democratização dos meios de comunicação.
Presente no lançamento, o secretário de Cultura da Prefeitura de São Paulo, Juca Ferreira, afirmou que os meios de comunicação são o principal obstáculo ao debate crítico dos reais desafios brasileiros.
‘Precisamos iniciar uma reconstrução programática que supere nosso próprio desgaste, mas essa tarefa requer um ambiente midiático oposto ao atual, concentrado e carente de regras democráticas’, disse Ferreira. (leia ‘Para Juca Ferreira, falta de democracia da mídia substituiu censura do regime militar’, nesta pág).
A importância descomunal da imprensa na luta política não é assunto estranho à reflexão intelectual desde que Gramsci (1891-1936) o incorporou a sua obra.
Na Itália, a fragilidade das estruturas partidárias, ao lado das dificuldades impostas por uma unificação feita de instituições ralas e abismos sociais e regionais profundos, fez com que os jornais assumissem funções de verdadeiros partidos, ensinou o pensador comunista.
As semelhanças meridionais com o subdesenvolvimento tropical não são negligenciáveis.
Nos anos 90, Celso Furtado costumava explicar pacientemente aos jovens jornalistas – os poucos que ainda procuravam o grande economista brasileiro taxado de jurássico pela emergente agenda tucana— que o ‘populismo’, ao contrário da demonização que lhe atribuíam as elites, refletia o vácuo histórico de uma sociedade pouco sedimentada institucionalmente, capturada pelas mandíbulas de um capitalismo de fronteiras indivisas.
O Estado e os líderes carismáticos compensavam o oco político falando direto às massas. E intervindo na economia para organizar a luta contra o subdesenvolvimento.
A colisão entre esse improviso de poder popular e o diretório midiático gerou entre nós alguns capítulos pedagógicos.
O suicídio de Vargas foi um deles.
O criador da igualmente por isso maldita Petrobras apertou o gatilho para não ceder à pressão insuportável do denuncismo lacerdista, que exigia sua renúncia em emissões sistemáticas através da rádio Globo, dirigida então pelo jovem udenista Roberto Marinho.
O Brasil era descrito como um mar de lama.
É dispensável enfatizar as semelhanças com a pauta e os métodos abraçados agora pelos grandes veículos de mídia em sintonia com a oposição conservadora ao governo Dilma, ao PT e ao ‘lulopopulismo’ econômico.
O Fórum dos intelectuais e a frente de movimentos sociais emergem como o contraponto mais importante a isso, desde a vitória de Dilma em 26 de outubro.
O conservadorismo atordoa o discernimento da sociedade desde então com uma escalada vertiginosa de iniciativas.
Habilidosamente, equipara-se combate à corrupção à demonização do polo progressista, no qual se espeta o selo da degeneração política, associada a práticas econômicas ‘intervencionistas’.
A ideia de uma salubridade externa à história, tomada como referência limpa e boa na construção da sociedade, é um daqueles mantras aos quais se agarram os interesses dominantes de todos os tempos.
A depender da conveniência, essa salubridade poderá vestir a toga da judicialização da ‘má política’. Ou a gravata técnica dos centuriões que falam em nome da proficiência dos mercados para dar o rumo ‘correto’ à economia.
Ou ainda encarnar no monopólio de um dispositivo midiático que se avoca a prerrogativa de um Bonaparte, a emitir interditos e sanções em defesa dos interesses particulares apresentados como os de toda a nação.
Hoje, o objetivo desse aluvião é o impeachment de Dilma ou o sangramento irreversível de seu governo, e das forças que o apoiam, bem como das ideias que as expressam. Até o seu sepultamento histórico em 2018.
Semanas após a vitória progressista nas urnas, quando o governo parecia hipnotizado pelo serpentário golpista que havia subestimado, e por isso não se preparado para defender o escrutínio popular, Carta Maior indagava:
‘O que se pergunta ansiosamente é se Lula já conversou sobre isso com Boulos, do MTST; se Boulos já conversou com Luciana Genro; se Luciana Genro já conversou com a CUT ; se a CUT já conversou com Stédile; se todos já se deram conta de que passa da hora de uma conversa limada de sectarismos e protelações, mas encharcada das providencias que a urgência revela quando se pensa grande. Se ainda não se aperceberam da contagem regressiva que ameaça o nascimento de um Brasil emancipado e progressista poderão ser avisados de forma desastrosa quando o tique taque se esgotar’.
A boa nova na praça é que a conversa começou.
O desafio de vida ou morte consiste agora em restaurar a transparência dos dois campos em confronto na sociedade.
Na aparente neutralidade de certas iniciativas pulsa, na verdade, a rigidez feroz dos interesses estruturais por elas favorecidos.
O melhor solvente para essa tintura é a ampla participação popular no debate e nas decisões que vão definir a rota do futuro brasileiro.
O país, desde 2003, e com todas as limitações e contradições intrínsecas a um governo de base heterogênea-- tem figurado aos olhos do mundo como uma das estacas da resistência latino-americana à retroescavadeira ortodoxa, que demole e soterra direitos sociais e soberania econômica urbi et orbi.
Essa resistência criou um dos maiores mercados de massa do planeta em uma demografia de 202 milhões de habitantes.
O assoalho macroeconômico range e ruge sob o peso da inadequação entre a emergência dessa nova força motriz e as estruturas rigidamente pensadas para exclui-la do mercado e da cidadania.
A solução da 'agenda técnica’ é higienizar a sujeira do intervencionismo público em todas as frentes, devolvendo o mando do jogo à faxina autorreguladora dos mercados.
Sobrepor o interesse privado aos da sociedade implica capturar o sistema democrático integralmente para esse fim.
Era esse o objetivo dos candidatos conservadores derrotados em outubro.
Não era apenas uma disputa presidencial. Mas um capítulo do embate inconcluso pelo comando do desenvolvimento brasileiro.
Daí a ilusão de se supor que concessões pontuais vão saciar o agendamento derrotado nas urnas.
Não será a adoção homeopática de sua farmacopeia que o fará recuar.
O discernimento daquilo pelo que se luta, e contra quem se travará a batalha dos próximos dias e noites, é crucial para os interesses populares afrontarem a avalanche em curso.
Essa é uma batalha entre a democracia social e as forças regressivas que se insurgiram contra a sua construção em 32, 54, 64, 2005, 2006, 2010 e 2014.
Tornar esse divisor visível aos olhos da população requer um símbolo de magnetismo equivalente à dimensão das tarefas que essa agenda encerra em termos de organização e repactuação do país com o seu desenvolvimento.
Requer o nascimento de uma frente de esquerda que, à semelhança do ‘Podemos’, na Espanha, guarde incontrastável vinculação com as urgências populares. Mas também encerre um denso discernimento das contingencias globais, que não podem ser abduzidas pelo imediatismo corporativista.
Embora o martelete midiático tenha disseminado a bandeira do antipetismo bélico, a ponto de hoje contagiar setores amplos da classe média, o fato é que esse trunfo conservador ainda não reúne a energia necessária para inaugurar uma nova ordem.
O pântano, por enquanto, o satisfaz.
Ele desarma a sociedade e exaspera a cidadania.
Dissemina um sentimento de impotência diante das urgências de uma transição de ciclo econômico marcada por uma correlação de forças instável, desprovida de aderência institucional , ademais de submetida à determinação de um capitalismo global avesso a qualquer outro ordenamento que não o vale tudo dos mercados.
A força e o consentimento necessários para conduzir esse ciclo em uma chave que não seja a do arrocho requisitam o salto de articulação social que agora se ensaia.
O caminho oposto é o da treva.
A regressividade conservadora predominante na Itália após o ‘Mãos Limpas’, nos anos 90, não é uma miragem; é um risco real em sociedades desprovidas de representação política forte e organização social mobilizada (leia ‘Mãos Limpas; e depois, Berlusconi?’; nesta pág).
Lá como aqui o lubrificante do retrocesso foi a prostração progressista e a incapacidade da esquerda e dos democratas de construir um repto histórico de esperança para engajar a sociedade no comando do seu destino.
A gravidade dos desafios embutidos no calendário de 2015 é de ordem equivalente.
Saber onde estão as respostas e reunir a energia política capaz de validá-las é trunfo valioso.
É esse o significado encorajador da nascente frente de esquerda dos movimentos sociais e da usina de intelectuais cidadãos reunidos no Fórum 21.
São sinais de um aggiornamento em curso na vida política nacional.
Mas que já extrapolam a mera formalidade da travessia gregoriana, para emprestar a 2015 a dimensão e o desassombro de uma verdadeira renovação histórica.
Que assim seja um bom ano novo, são os votos que Carta Maior tem a certeza de compartilhar com seus leitores e com a imensa maioria do povo brasileiro.
Uma frente de esquerda formada pelos principais movimentos sociais brasileiros, tendo à frente, entre outros, o dirigente do MTST, Guilherme Boulos, está em formação no país.
Não é ainda a alavanca capaz de reverter a ofensiva conservadora em marcha batida na sociedade. Mas tem potência para isso.
Tem, sobretudo, capacidade para sacudir uma correlação de forças na qual as elites mastigam a margem de manobra do segundo governo Dilma entre os dentes da fatalidade econômica e do engessamento político.
A iniciativa dos movimento sociais, apoiada por partidos de esquerda, conta com um incentivo sintomático da gravidade dos dias que correm: o do ex-presidente Lula e, portanto, de uma parte significativa do PT.
Tem, ademais, um precedente revelador.
Ela vem se somar a uma mobilização equivalente, iniciada há cerca de um mês, para reaproximar intelectuais de esquerda e construir um contraponto de ideias progressistas ao agendamento conservador da sociedade, martelado diuturnamente pelo jogral midiático.
Trata-se de uma usina de respostas à espiral regressiva; uma caixa de ressonância de intelectuais cidadãos.
Esse polo de debate e combate foi oficializado no dia 15 de dezembro, em evento em São Paulo, com o nome de Fórum 21.
A primeira assembleia, no Sindicato dos Engenheiros, elegeu como uma de suas vértebras a luta pela democratização dos meios de comunicação.
Presente no lançamento, o secretário de Cultura da Prefeitura de São Paulo, Juca Ferreira, afirmou que os meios de comunicação são o principal obstáculo ao debate crítico dos reais desafios brasileiros.
‘Precisamos iniciar uma reconstrução programática que supere nosso próprio desgaste, mas essa tarefa requer um ambiente midiático oposto ao atual, concentrado e carente de regras democráticas’, disse Ferreira. (leia ‘Para Juca Ferreira, falta de democracia da mídia substituiu censura do regime militar’, nesta pág).
A importância descomunal da imprensa na luta política não é assunto estranho à reflexão intelectual desde que Gramsci (1891-1936) o incorporou a sua obra.
Na Itália, a fragilidade das estruturas partidárias, ao lado das dificuldades impostas por uma unificação feita de instituições ralas e abismos sociais e regionais profundos, fez com que os jornais assumissem funções de verdadeiros partidos, ensinou o pensador comunista.
As semelhanças meridionais com o subdesenvolvimento tropical não são negligenciáveis.
Nos anos 90, Celso Furtado costumava explicar pacientemente aos jovens jornalistas – os poucos que ainda procuravam o grande economista brasileiro taxado de jurássico pela emergente agenda tucana— que o ‘populismo’, ao contrário da demonização que lhe atribuíam as elites, refletia o vácuo histórico de uma sociedade pouco sedimentada institucionalmente, capturada pelas mandíbulas de um capitalismo de fronteiras indivisas.
O Estado e os líderes carismáticos compensavam o oco político falando direto às massas. E intervindo na economia para organizar a luta contra o subdesenvolvimento.
A colisão entre esse improviso de poder popular e o diretório midiático gerou entre nós alguns capítulos pedagógicos.
O suicídio de Vargas foi um deles.
O criador da igualmente por isso maldita Petrobras apertou o gatilho para não ceder à pressão insuportável do denuncismo lacerdista, que exigia sua renúncia em emissões sistemáticas através da rádio Globo, dirigida então pelo jovem udenista Roberto Marinho.
O Brasil era descrito como um mar de lama.
É dispensável enfatizar as semelhanças com a pauta e os métodos abraçados agora pelos grandes veículos de mídia em sintonia com a oposição conservadora ao governo Dilma, ao PT e ao ‘lulopopulismo’ econômico.
O Fórum dos intelectuais e a frente de movimentos sociais emergem como o contraponto mais importante a isso, desde a vitória de Dilma em 26 de outubro.
O conservadorismo atordoa o discernimento da sociedade desde então com uma escalada vertiginosa de iniciativas.
Habilidosamente, equipara-se combate à corrupção à demonização do polo progressista, no qual se espeta o selo da degeneração política, associada a práticas econômicas ‘intervencionistas’.
A ideia de uma salubridade externa à história, tomada como referência limpa e boa na construção da sociedade, é um daqueles mantras aos quais se agarram os interesses dominantes de todos os tempos.
A depender da conveniência, essa salubridade poderá vestir a toga da judicialização da ‘má política’. Ou a gravata técnica dos centuriões que falam em nome da proficiência dos mercados para dar o rumo ‘correto’ à economia.
Ou ainda encarnar no monopólio de um dispositivo midiático que se avoca a prerrogativa de um Bonaparte, a emitir interditos e sanções em defesa dos interesses particulares apresentados como os de toda a nação.
Hoje, o objetivo desse aluvião é o impeachment de Dilma ou o sangramento irreversível de seu governo, e das forças que o apoiam, bem como das ideias que as expressam. Até o seu sepultamento histórico em 2018.
Semanas após a vitória progressista nas urnas, quando o governo parecia hipnotizado pelo serpentário golpista que havia subestimado, e por isso não se preparado para defender o escrutínio popular, Carta Maior indagava:
‘O que se pergunta ansiosamente é se Lula já conversou sobre isso com Boulos, do MTST; se Boulos já conversou com Luciana Genro; se Luciana Genro já conversou com a CUT ; se a CUT já conversou com Stédile; se todos já se deram conta de que passa da hora de uma conversa limada de sectarismos e protelações, mas encharcada das providencias que a urgência revela quando se pensa grande. Se ainda não se aperceberam da contagem regressiva que ameaça o nascimento de um Brasil emancipado e progressista poderão ser avisados de forma desastrosa quando o tique taque se esgotar’.
A boa nova na praça é que a conversa começou.
O desafio de vida ou morte consiste agora em restaurar a transparência dos dois campos em confronto na sociedade.
Na aparente neutralidade de certas iniciativas pulsa, na verdade, a rigidez feroz dos interesses estruturais por elas favorecidos.
O melhor solvente para essa tintura é a ampla participação popular no debate e nas decisões que vão definir a rota do futuro brasileiro.
O país, desde 2003, e com todas as limitações e contradições intrínsecas a um governo de base heterogênea-- tem figurado aos olhos do mundo como uma das estacas da resistência latino-americana à retroescavadeira ortodoxa, que demole e soterra direitos sociais e soberania econômica urbi et orbi.
Essa resistência criou um dos maiores mercados de massa do planeta em uma demografia de 202 milhões de habitantes.
O assoalho macroeconômico range e ruge sob o peso da inadequação entre a emergência dessa nova força motriz e as estruturas rigidamente pensadas para exclui-la do mercado e da cidadania.
A solução da 'agenda técnica’ é higienizar a sujeira do intervencionismo público em todas as frentes, devolvendo o mando do jogo à faxina autorreguladora dos mercados.
Sobrepor o interesse privado aos da sociedade implica capturar o sistema democrático integralmente para esse fim.
Era esse o objetivo dos candidatos conservadores derrotados em outubro.
Não era apenas uma disputa presidencial. Mas um capítulo do embate inconcluso pelo comando do desenvolvimento brasileiro.
Daí a ilusão de se supor que concessões pontuais vão saciar o agendamento derrotado nas urnas.
Não será a adoção homeopática de sua farmacopeia que o fará recuar.
O discernimento daquilo pelo que se luta, e contra quem se travará a batalha dos próximos dias e noites, é crucial para os interesses populares afrontarem a avalanche em curso.
Essa é uma batalha entre a democracia social e as forças regressivas que se insurgiram contra a sua construção em 32, 54, 64, 2005, 2006, 2010 e 2014.
Tornar esse divisor visível aos olhos da população requer um símbolo de magnetismo equivalente à dimensão das tarefas que essa agenda encerra em termos de organização e repactuação do país com o seu desenvolvimento.
Requer o nascimento de uma frente de esquerda que, à semelhança do ‘Podemos’, na Espanha, guarde incontrastável vinculação com as urgências populares. Mas também encerre um denso discernimento das contingencias globais, que não podem ser abduzidas pelo imediatismo corporativista.
Embora o martelete midiático tenha disseminado a bandeira do antipetismo bélico, a ponto de hoje contagiar setores amplos da classe média, o fato é que esse trunfo conservador ainda não reúne a energia necessária para inaugurar uma nova ordem.
O pântano, por enquanto, o satisfaz.
Ele desarma a sociedade e exaspera a cidadania.
Dissemina um sentimento de impotência diante das urgências de uma transição de ciclo econômico marcada por uma correlação de forças instável, desprovida de aderência institucional , ademais de submetida à determinação de um capitalismo global avesso a qualquer outro ordenamento que não o vale tudo dos mercados.
A força e o consentimento necessários para conduzir esse ciclo em uma chave que não seja a do arrocho requisitam o salto de articulação social que agora se ensaia.
O caminho oposto é o da treva.
A regressividade conservadora predominante na Itália após o ‘Mãos Limpas’, nos anos 90, não é uma miragem; é um risco real em sociedades desprovidas de representação política forte e organização social mobilizada (leia ‘Mãos Limpas; e depois, Berlusconi?’; nesta pág).
Lá como aqui o lubrificante do retrocesso foi a prostração progressista e a incapacidade da esquerda e dos democratas de construir um repto histórico de esperança para engajar a sociedade no comando do seu destino.
A gravidade dos desafios embutidos no calendário de 2015 é de ordem equivalente.
Saber onde estão as respostas e reunir a energia política capaz de validá-las é trunfo valioso.
É esse o significado encorajador da nascente frente de esquerda dos movimentos sociais e da usina de intelectuais cidadãos reunidos no Fórum 21.
São sinais de um aggiornamento em curso na vida política nacional.
Mas que já extrapolam a mera formalidade da travessia gregoriana, para emprestar a 2015 a dimensão e o desassombro de uma verdadeira renovação histórica.
Que assim seja um bom ano novo, são os votos que Carta Maior tem a certeza de compartilhar com seus leitores e com a imensa maioria do povo brasileiro.
Fonte:
Carta Maior
Link:
http://cartamaior.com.br/?/Editorial/2015-o-ano-que-pode-surpreender-/32525
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